Ela se vê cinza, mas é cor.

Acho que chovia...
não sei? mas parecia!

Era um dia escuro,
pesado,
de uma forma meio sombria.

Ouvi até alguém dizer:
- Que dia gostoso pra ficar no cobertor, comer pipoca, vendo filme de amor.

Eu hein?!?!
Tem gente que vê cor até na escuridão!
Eu? eu não!
Prefiro esse meu jeito,
de amar a solidão,
gosto dela assim,
sólida,
em vão.

De repente abri a janela.
E lá estava ela...
à Vida,
linda,
florida,
estampando em minha cara,
todo seu calor.
Gritando aquele amor à toa,
sem motivo,
cheio de cheiro,
gosto e cor;
me expondo ao ridículo,
tirando toda a graça da minha infelicidade.

Tinha até um passarinho bobo,
cantante, se admirando no seu reflexo,
bem no vidro da minha janela.
Patético!!!

Lógico que virá alguém
me dizer que é poético,
mas sei lá...?!?!

Sabe? na verdade acho que quero estar enganada,
queria poder ver a vida assim, apaixonada.

Ver a linda cor do céu,
contemplar o por do sol...
admirar a linda lua,
cantarolar pela casa, toda nua...

É... assim vai começar meu dia,
cheio de pensamentos,
questões e conflitos...
Vou abrir meu guarda-chuva,
sair pra rua!

Mas hoje, hoje vou diferente,
já até me olhei no vidro da porta.
Até me gostei...
feito aquele bobo passarinho!
Quem sabe viro flor, 
pro olhar de algum beija-flor.
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Marco Paschoal

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