Ego x Coração (parte 3)

Ele não deu a mínima para sua doce voz
que tentava ser amarga sem o menor sucesso.
Ela era um amor,
até seu rancor era lindo.

Pois ele, agindo rápido, a pegou pela cós da calça,
encaixando seus dedos e tocando pele com pele;

Não teve jeito ... a pele expôs com arrepios,
toda vontade e fome que ela ainda sentia por ele.

Deram de cara com o desejo.

Todo seu lindo e forte discurso sobre
ex amor, ex-amor, desamor, desabou...
O olhar dela brilhava como resina,
de tão alagado por estar ali, tão perto dele.

Ele, também louco por ela,
seco pra molhar aqueles lábios com os seus,
percebeu e disse:

 Sou isso?
 Um passado distante,
 um ato seu, decepcionante
 um simples ficar, um rompante?

 Me diga?
 Não me quer?

 ... então se solta de mim e some
 ao invés de me olhar com essa fome.

 Você não consegue,
 não esconde,
 sua vontade te consome.

 Me diga, de quem é o tal ego agora?
 Vai, me conta, não demora!

 Diga que não quer meu colo,
 mas não com palavras, com os olhos!

 Pare de prometer pro futuro,
 coisas que só o presente te dará.

 Eu amo você ...
 essa minha posse por ti
 é apenas o medo de não te ter um dia.
 Mas eu mudo ... te juro!
 Me tire desse escuro,
 clareia minha vida com mais um sim?

 Dá pra mim ... mais uma chance.

 Ou então foge,
 corre,
 para um lugar onde a vontade não te alcance,
 um lugar onde seu corpo, mente e alma,
 não se lembrem do nosso romance.

 Ou então se larga enfim...
 tira essa blusa,
 solte esse cabelo...
 e se dá pra mim.
(continua...será?)

Marco Paschoal

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